sábado, 28 de janeiro de 2012

Ah... a paciência...

Há semanas em que a vontade maior é de abandonar o próprio corpo e correr desesperadamente para longe de si mesma. Nesses dias sempre falta paciência e bom senso, combinação que não é muito bacana. Daí você adiciona um pouco de insônia e pronto, a bomba está pronta para explodir depois da ingestão de quilos de gorduras, açúcares e carboidratos.

"Paciência gera bondade". Esse é o mantra que você precisa seguir para ver as coisas dando certo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Esperança

Faz calor.

Ela coloca no chão a sacola pesada e com a mão livre afasta o cabelo do rosto. No outro braço segura o bebê que dorme suado, cansado de ser carregado sob o sol. Ela inspira e ergue a cabeça.
- Chegamos! - diz para o mais velho. Ele tem apenas 11 anos, mas já sabe como ajudar.

Enquanto ela espera, ele empurra com o ombro o pequeno portão de madeira e também coloca a sacola que trouxe no chão; assim consegue segurar o portão, mantendo-o aberto. Os dois irmãos do meio passam correndo. A mãe espera.

Do lado de fora só é possível ver os dedinhos, depois de alguns segundos, surge o rosto curioso:

- A senhora não vai entrar?

Ela não se mexe.

- Mãe?
- MÃE? - grita o menino.

Só então ela acorda.
- Sim! Já estou indo!

Ela caminha devagar. Desta vez, é o menino quem espera.
A mãe passa, ambos viram e se entreolham.

Há uma semana não vendiam nada. As sacolas com os panos bordados voltavam carregadas dia após dia.
A mãe era toda dúvidas: como alimentá-los, como melhorar? Mas também era sabedoria.
Ela continuou a olhar para o filho e sorriu de modo afável.

- Vamos, filho! Entre e encoste o portão. Amanhã começam as aulas, você precisa acordar cedo.

O menino balançou a cabeça, entendeu e obedeceu.
Obedeceu todos os dias.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ano Novo - Promessas novas!

O recomeço sempre tem um gostinho especial, não é? Pois então, vou tentar de novo!
Eu admito: estou em lenta recuperação, tentando ao máximo não sofrer outra recaída e abandonar o blog pela 53ª vez. Sendo assim, vamos trabalhar um post de cada vez.

Começo pagando uma dívida antiga: um pequeno perfil a um grande amigo.

...

Duanne, preste atenção! Por mais clichê que pareça, meu caríssimo colega e amigo, é pelo seu nome que preciso começar. Até mesmo porque não fui eu testemunha, até hoje, de uma única conversa guiada por você que não tenha contado com um firme, sonoro e bem pronunciado vocativo, antecedido por vezes de um adjetivo carismático e de um dedo em riste; como se uma grande ideia houvesse acabado de surgir! PLIM!

Será esse comportamento a artimanha do jornalista que chega aparentemente desinteressado, mas que por fim observa, questiona e argumenta com extrema inteligência? Talvez nunca saibamos! Afirmo isso porque é mantendo-se como bom ouvinte e com muita introspecção que Duanne turbina seus pensamentos durante uma conversa. Ele lança ao vento – juntamente com gestos das mãos – perguntas retóricas finalizadas com olhar perdido e pose de pensador. E quando se volta ao diálogo, só falta perguntar: Qual é o próximo assunto?

Se você pensa que o cerne da questão abandonou a mente do jornalista a partir daí, enganou-se. O assunto, seja ele qual for, pode ganhar mais força quando a energia concentrada nos pensamentos desse menino é transferida para os textos que ele escreve. Éticos, seus registros podem até manter a objetividade jornalística, mas nas entrelinhas é possível encontrar o filósofo que habita o repórter. E acredite: ambos vivem em harmonia.

Não me julguem por chamar de menino o jornalista, produtor, editor, colunista e filósofo Duanne, O. Ribeiro. Pois, por mais que o admire - e não é pouco - ele nunca deixará de ser, para mim, o rapaz que usa casaco amarrado na cintura, que divide uma boa gelada e que circula por aí - meio corcunda - em busca de boas histórias. Seja para ver, ouvir ou escrever.

domingo, 27 de março de 2011

No meio do caminho havia uma pedra

Como previsto hoje de manhã, o dia foi ótimo. Reforcei até um conceito: "Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare". Cheguei ao fim hoje em duas situações, e já parei. Em compensação, achei o início de outra regada à música. E essa tá só começando...

PS. Alguém me seguuuure!

sábado, 26 de março de 2011

Brisa de sábado de manhã


O sol está maravilhoso! Eu poderia estar na praia, ao lado de um isopor repleto de cerveja. Sim! Seria perfeito. Contudo, não há problema ... porque, além do clima, quem vai fazer esse dia ficar bom, soy yo!

Para melhorar, a Penélope poderia estar aqui. Tô com uma vontade imensa de pedalar... Enquanto ela, ou a Dadá não sobem a Serra, vou gastar energia com a faxina de sábado mesmo.

Na foto, a vista da vizinhança na Água Branca. Demorou, mas, finalmente, começo a me sentir parte dos lugares por onde passo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Visões paulistanas

Claro que você já ouviu que São Paulo é uma cidade cinza, mas preciso dizer que não só de concreto e poluição vivem os homens daqui. Ao dobrar algumas esquinas, as cores pulam sobre você e te enchem os olhos, e a alma.

No meu atual trajeto para o trabalho, passo por dois cemitérios repletos de vida. Juro! Não são apenas as cores das bancas de flores, mas também dos muros grafitados. São os cemitérios do Santíssimo Sacramento e o cemitério de São Paulo. Por mais fúnebre que a frase possa ser: são lugares acolhedores.

Bom, por causa das cores, tenho a minha mais nova rua preferida. A Cardeal Arcoverde é uma rua fofa! Lá as lojas de móveis antigos esbanjam charme com curvas sensuais e cores quentes. Sem contar que Arcoverde me lembra Cordel do Fogo Encantado, e aí já me dá aquela vontade absurda de conhecer Pernambuco. Mas como estamos falando de São Paulo, e pra piorar, da capital, deixarei meu tesão por cidades pequeninas para depois.

Eu gosto daqui. Gosto do dia e da noite. Gosto especificamente do ar da manhã e dos paulistanos típicos com os quais pego ônibus na volta pra casa. Como são os paulistanos típicos? Os seus eu não sei, mas digo que os meus são cabeludos, narigudos, branquelos, alternativos e, por mais incrível que pareça, bonitos! Afinal gosto não se discute, não é?

"Agora a chuva parou. Só está frio e muito bom. Não voltarei para casa. Ah, sim, isso é infinitamente consolador" - De "A Fuga", Clarice Lispector.

sábado, 30 de outubro de 2010

Por que anulei meu voto…

O processo eleitoral de 2010 foi o que acompanhei de maneira mais passiva. Não falei sobre a minha opinião, não discuti com quem tinha ideias diferentes das minhas, não acompanhei com atenção o noticiário, não pesquisei a vida dos candidatos, não, não e não. Assim, não poderia eu demonstrar de outra maneira essa negatividade toda se não fosse pelos zeros na urna eletrônica.

Para que saibam, fui petista, elegi o Lula, e não acredito que ele tenha presidido de maneira ineficiente. Vi, de perto, o desenvolvimento de muitas famílias que dependiam da ajuda da comunidade para se alimentar diariamente. Se você acredita que a única diferença é que agora o papai é o Governo Federal, engana-se. Vi muitas dessas famílias crescendo a paritr deste auxílio incial, passando depois a caminhar com suas próprias pernas. Se essa é uma minoria ou não, já é outro problema, o importante é que alguma coisa precisava ser feita.

Usufrui de uma política educacional da qual não concordo 100%, o Prouni. Isso porque educação se melhora de baixo pra cima e não facilitando o acesso à universidade como está sendo feito. Porém, é necessário começar, e ao menos um passo foi dado.

Sobre a corrupção? Contem-me uma novidade. Sinto-me mais frustrada por percebê-la infiltrada em um partido com o qual simpatizava, mas conformismo por conformismo,  cada escândalo é apenas mais um.

Há quem diga que não houve governo com tantas denúncias de corrupção. Discordo. Acredito sim que não houve antes governo em que o mercado de dossies fosse tão movimentado e divulgado na mídia; o que não justifica em nada o comportamento dos nossos adoráveis representantes.

Portanto, declarei que não tenho candidatos e que não iria escolher por um menos pior apenas para votar. Acredito tanto na democracia e na importância e validade do voto que abomino uma escolha baseada no “menos pior”!!! Por isso usei o meu direito e dever para mostrar o que eu realmente quero: nem Dilma, nem Serra. Você vai me perguntar o que eu quero, e vou te responder: não sei.

E se você me perguntar porque não voto Dilma, se eu disse aqui em cima que não achei o governo Lula ruim, respondo a você que eu não confio nela. Acho-a insegura, despreparada. Não ligo para os rótulos de bandida e terrorista, pois o período pedia ações extremas, o que talvez esteja precisando ser feito hoje para sairmos do sofá e dessa passividade que, admito, também pode ser vista em mim.

Diante das circunstâncias, pego-me pensando que deveria então assumir um candidato ao qual nunca dei meu voto por incompatividade ideológica: José Serra. Infelizmente, sou obrigada a dizer que prefiro ele à Dilma. Isso porque tenho certeza de que ideologia não existe mais, nem nos partidos políticos, nem nos homens públicos e principalmente em nós. Depois, porque acho  difícil retroceder uma política social que foi iniciada por Ruth Cardoso e consolidada no governo Lula.

Então, contradigo-me e termino dizendo que prefiro sim, a segurança e o jogo de cintura de José Serra, à voz embargada e discurso pronto de Dilma. Porém, a minha motivação não é tão forte a ponto de me fazer descer a serra para votar. Amanhã, justifico meu voto pela primeira vez.

Boa sorte para nós, voltamos a falar em 2014.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Rua Harmonia

Sensação boa de reconhecer os caminhos, saber onde se está e para que lado ir. Penso em novos objetivos, mas antes deles é necessário, pelo menos, trabalhar amanhã!

Portanto, boa noite!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

tragapracáQUASEtudo

Opa! Achei que estava na hora de voltar a escrever. Afinal, que graça tem começar a realizar um objetivo traçado há tantos anos, se não se pode registrar as mudanças que isso causa em si, e nos outros?

Depois de quatro anos buscando a suada formação como jornalista, terminei a faculdade. Não interessa se os últimos meses foram suados na mesa do bar que ficava em frente a Unisanta. O que vale é saber que o TCC foi aprovado com 10, para surpresa desta que vos escreve.

Depois de alguns meses dedicados à família, comecei um freela a partir da indicação de um amigo. Assessoria de comunicação de uma organização cultural. Aprendi bastante lá, mas três meses foram o limite. Depois disso, voltei para a vida de desempregada. Foi então que reforcei as buscas por um emprego em São Paulo, algo que eu queria desde sempre.

Depois de subir e descer a serra uma ou duas vezes por semana para realizar entrevistas que nunca tinham uma resposta favorável, decidi subir de vez.

As primeiras impressões de uma cidade a qual eu só conhecia o subsolo até então foi no mínimo interessante: ônibus com portas dos dois lados e integração gratuita, gays por toda parte, barulho de carros durante a noite, pressa generalizada, trânsito, shoppings, cinemas e teatros em cada esquina, mulheres circulando nas ladeiras de salto alto, negras lindas com cabelo afro de fazer inveja a Chico César, botecos a cada três imóveis, frio e umidade zero no ar, três opções de jornais populares nas principais avenidas e inúmeras opções de trabalho na área. É... algum deles teria que ser meu.

Com o terninho preto, e os inúmeros currículos impressos, comecei a busca. Depois de dois meses, quando estava pensando em ser uma operadora de telemarketing com a língua presa, minha chance chegou. Fui contratada depois de participar de uma entrevista com calça jeans e mostrar meus problemas com o inglês.

E aí, começaram outras descobertas: como se vestir, como se portar, almoçar fora, adequação ao ambiente corporativo, enfim... uma série de novos comportamentos que estão me fazendo crescer.

Ah! O trabalho é difícil, corrido, estressante. Mas é tão gostoso, que quero mais é continuar nessa correria louca paulistana! Pelo menos por enquanto.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Conversa de botas batidas

Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugarEu olhava a praça sentada no banco elevado do ônibus quando o homem de cavanhaque e cabelos brancos entrou e parou ao meu lado.
— Vou sentar aqui porque fico mais perto do ventinho da janela — completou ao se acomodar.
Depois de um sorriso sem graça, pensei que a conversa terminaria ali, afinal, de óculos escuros e péssimo humor, não seria eu mantenedora de bom bate papo com ninguém.
— Essa história de ventinho já me rendeu um casamento, acredita? — ele disse.
— Jura? — perguntei, arrependendo-me em seguida, já que pensei que o velho começaria ali um xaveco para me deixar ainda mais mal humorada. Mas eu estava errada. Foi iniciada ali mais uma sessão das minhas tão adoráveis terapias-relâmpago.

Com 71 anos de idade, mas aparentando no máximo 60, o viúvo casou-se novamente graças ao que ele chamou de "ventinho auspicioso". Há cerca de 3 anos, ao escolher para sentar o mesmo lugar de onde me contava essa história, ouviu da loira que ocupava o "meu lugar" uma pergunta inesperada:
— Prefere sentar na janela ou no corredor?

A demonstração de educação encantou o homem. Este desfiou elogios à mulher e passados alguns Canais (sete canais cortam a orla de Santos) já conversavam como "bons amigos". Depois de anotar o número de telefone da loira, o primeiro encontro foi marcado, seguido do casamento, oito meses mais tarde.

Nesse meio tempo ouvi uma série de conselhos sobre como respeitar a si mesmo, fortalecer o amor pelo outro, ceder na relação, aguentar a sogra e vencer as diferenças religiosas entre os dois.

No meio dos 30 minutos de conversa – sim, já era uma conversa – meu celular tocou.

Droga! Mais uma vez não conseguia ter certeza de que era realmenteuma boa ideia colocar toda essa teoria em prática.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Em trânsito

Uma chuva fininha caía sobre a cidade. As luzes de freio dos automóveis lembravam o período em que, ajoelhada no banco de trás do carro de seu padrinho, era levada para Guarujá pela Piaçaguera, sem ver o mar.
Anos depois, olhava sempre pelas janelas do lado do motorista. Ela nunca sentava do lado oposto ao dele. Não quando podia escolher. O barulho do parabrisa incomodava, mas o sorriso e o chapéu de Sérgio Reis estampados em um cartaz colado ao vidro eram ainda mais incovenientes.
O ônibus era tão familiar para quem não gostava de dirigir. Era possível ler antes de chegar em casa. A casa era cama; ou o sofá pequeno onde, encolhida, sentia-se abraçada, querida.
A vida não andava sendo justa. Os seus planos eram concluídos, os amores esquecidos. Restavam o ócio e a imaginação. A novela que escrevia em pensamento todas as noites sustentavam sorrisos do marido Pedro e a sensação de acariciar a barriga de oito meses. Por mais que não trabalhasse para, o objetivo era o amor, os filhos, o compartilhamento de cada dia. Era isso que ela queria tomando ônibus atrás de ônibus, todos os dias.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

pai

Dói. Sonhei com eles me vendo apresentar o trabalho final da primeira fila. Um não pode. E se não posso ter um, é melhor que não tenha nenhum. Se escrevi um livro e amanhã (hoje na verdade) estarei apresentando para a banca examinadora do curso de Jornalismo, meu pai é o principal responsável. Ahh... meu pai que me comprou quadrinhos, revistas pré-adolescentes e enciclópedias. Meu pai que contava primaveras nos cartões de aniversário e lia minhas redações como o leitor mais crítico do mundo. Meu pai se esconde agora atrás de uma cortina chamada esquizofrenia. Olhar na primeira fila e não reconhecer aqueles olhos ia doer mais do que o que está doendo agora. Ver minha mãe sozinha, sem o homem que ela ainda ama, também seria péssimo. Aguento firme e agradeço ao meu grande velho, tudo, tudo, tudo o que ele representou, e ainda representa pra mim.

Obrigada pai! Amo, amo e amo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Corpo humano

O amor é um sentimento exibicionista. Ele dilata as pupilas de quem o sente para que qualquer um possa ler as linhas dos olhos que descrevem o coração, a alma.

Encarar olhos que te amam é como ganhar um edredom em dia frio, tendo nas mãos uma caneca de chocolate fumegante. É cair eternamente em um abismo do qual não se sente medo, apenas busca-se a companhia que cai junto com você.

Olhos não falam de amor, eles gritam exigindo atenção e quando não são notados se encolhem, se fecham. Tristeza não se exibe. Ela retorna ao coração na busca pelo culpado em ofertar tanta alegria e vai fechando cada artéria. O corpo luta, mas o sangue amargo alcança os órgãos, sentidos e gestos.

Quando já parece tarde, a esperança começa a massagem cardíaca, acontecem respirações boca-a-boca, mas a morte é necessária e o renascimento indispensável.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

mais um

minha vida tá toda enrolada, e eu tô tentando arrumar. Mas isso é viver, não é?
Continuo tentando.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Blade Runner, o Caçador de Andróides

crítica de cinema (2008)

Embora o filme Blade Runner (O caçador de andróides) tenha sido lançado em 1982, muitos elementos podem ser trazidos para a realidade que vivemos atualmente, ou que podemos vivenciar em um futuro bem próximo.

A extinção da natureza, e de espécies de animais, e o crescimento da poluição relembram os cuidados com a ecologia que começaram a se intensificar nos últimos anos por motivos óbvios. A consolidação do sistema capitalista, demonstrado pelas publicidades iluminadas em grandes prédios, foi prevista no filme. Utilizando a imagem da Coca-Cola, uma empresa que se espalhou pelo mundo.

Um dos fatores mais interessantes no contexto de economia de mercado é a utilização de chineses nas imagens de cunho publicitário. Hoje, a China é vista como uma forte potência econômica o que demonstra uma coincidência interessante ou um feeling perfeito do diretor. Ainda com referência à China, é apresentada uma mistura de raças, que pode ser associada à facilidade que temos hoje de romper fronteiras com a internet, por exemplo.

O avanço de tecnologias não poderia ser deixado de lado. Máquinas que realizam leituras de retina não são mais ficção científica para nós, ao contrário dos carros voadores.

Mas a "tecnologia" que ainda não conhecemos, responsável pelo enredo do filme, são os replicantes - clones humanos adulterados geneticamente para serem mais fortes e viverem por apenas quatro anos.

Além de os replicantes participarem de viagens interplanetárias - também realizadas pelos humanos no filme - eles são essenciais na construção do personagem principal: Deckard (Harrison Ford) deve caçar os replicantes que se rebelaram para viver mais que os anos programados. E é na relação com os andróides que o personagem de Deckard vai sendo construído.

Em uma de suas críticas de cinema, Marcelo Janot questiona se BladeRunner é um filme sobre "andróides que se humanizam ou sobre seres humanos que ficam cada vez mais parecidos com andróides". Acredito que manter a dúvida foi um dos objetivos do cineasta Ridley Scott.

*Publicado no wiki do Clube da Escrita

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

quase cinco!

Deveriam proibir os bons filmes na madruga. Quando estou pegando no sono, começa a programação de domingo pra segunda, o meu sono desaparece ao primeiro sinal de filme decente e não volta antes do Telecurso 2000.

A correria está maléfica, a Encenação da Vila de São Vicente está me deixando com algumas cápsulas de omeprazol nas mãos. Em uma semana tudo volta ao normal!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um 2009 repleto de ânimo pra todo mundo!

O importante é ter saúde; dinheiro a gente corre atrás. O cacete! Quem fala uma besteira dessas não usa o Sistema Único de Saúde. Eu já falei algo assim também, mas estou incluída entre aqueles que não usam o SUS. Tenta não ter dinheiro pra ver se você se mantém saudável. Repito: O cacete!

Alimentação saudável, caminhada matinal, frutas antes de dormir e exames periódicos são coisa de quem tem dinheiro. Reflita se a dona Creuza tem a possibilidade de deixar de comprar ovos, lingüiças e hambúrgueres para comer peixe; ou se o Felisberto conseguiria acordar antes das 5h da manhã, hora que acorda todos os dias, para dar uma voltinha no bairro e depois continuar em pé no ônibus quente e compacto que o leva até o pátio de obras; ou ainda se a Grace Kelly, quando chega do curso técnico de caldeiraria, ficaria satisfeita em degustar uma bonita pêra e dormir tranqüila depois de ter apenas engolido o almoço na mesa do escritório ao meio-dia... Isso porque ainda nem mencionei a facilidade com que essa galera coloca a cadeira de praia na frente do posto de saúde às 23h do domingo para chegar mais disposta no agendamento de consultas na segunda-feira de manhã.

De verdade? Acredito que o bom mesmo é desejar injeções cavalares de força de vontade. Só assim é possível enfrentar o mundão de nosso sinhô aqui na Terra!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O rumo segue

Quando me vi doida, tentei virar a página do teclado e olhar a revista.
Não resolveu.
Então coloquei o chiclete na boca e comecei a tirar o esmalte da unha com os dentes.
Fiquei ainda mais irritada.
Então chorei, levantei a cabeça e resolvi tentar de novo.

Só resolvi.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

amor vazio

Ela passava os dedos na poeira que descansava sobre o carro. Não escrevia nada, apenas tornava vazio o espaço ocupado de pigmentos; assim como fazia na areia da praia, quando sua mãe pedia que ela escolhesse o feijão ou na imaginação, quando via o céu carregado de nuvens.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Pensemos antes!

Status: Bestificada
Motivo: Notícia
Título: “Boneco da reconstituição de queda em Guarulhos é o mesmo do caso Isabella”
Legenda: “Boneco sofreu adaptações, segundo o Instituto de Criminalística, para ser utilizado na simulação em Guarulhos”

[Se fosse um Notícias Populares, o boneco já era o novo Chuck]

Pára tudo! Alguém pode me dizer que porra de notícia é essa? Eu achei que tinha visto o suficiente por hoje quando liguei a televisão e a Ana Maria Braga estava usando uma farda camuflada do exército e óculos de grife para “cobrir” os acontecimentos em Santa Catarina.
Geeeente! Pelo amor do nosso sinhô – senão do meu, daquele que vocês acreditam – mas vamos parar de escrever, falar e filmar conteúdo jornalístico ridicularizado?

Detalhe
A produção que conseguiu a farda com o nome da global, esqueceu algumas coisinhas, como informar a apresentadora de que uma das pessoas que ela estava entrevistando havia perdido pessoas da família e não a casa!!! É claro que depois da surpresa não faltaram perguntas estruturadas do tipo: Como foi? Foi de repente? Como você se sente? E agora? E 2009? Ahhhhh, puta que pariu! Não deve ser fácil fazer matéria em cima desse tipo de coisa, mas agir feito idiota já é um pouco demais!

Meu irmão mais pra lá do que pra cá tentou argumentar: Ah! Mas só apelando que é possível sensibilizar as pessoas para que elas colaborem (aliás, para ajudar, procure a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e outros órgãos de segurança da sua cidade). Mas será que as imagens que eu tenho visto durante todo esse tempo precisavam de voz para sensibilizar alguém? Tenho minhas dúvidas. E para informar que a reconstituição do caso de Guarulhos foi realizada, precisava usar o gancho do boneco? ?

O gancho que nós precisamos deve ser aplicado no queixo, de baixo pra cima. Com a força do estrago que nós, pseudo jornalistas, podemos fazer na sociedade!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Bom dia freguesa!

É sempre por volta das quatro horas da manhã. No sábado, que tem feira aqui perto, o caminhão liga antes mesmo das três. Hoje o boteco da esquina tocou forró a tarde inteira. A Dilu dançou de capacete com o coroa barrigudo no meio da rua, depois pegou a bis e saiu pilotando toda contente. Talvez já um pouco alta por causa da cerveja. A farra durante a tarde deixou a noite silenciosa, o que me fez escutar melhor o barulho do caminhão. O forró geralmente me incomoda, mas acho que eles preferem quando a música está bem alta. Quando fazem festas, é possível ouvir o som de longe. Dançam alegres no galpão que construíram para estacionar o veículo.

Estou sempre dentro de casa, mas imagino como começa o dia dos feirantes que moram aqui ao lado. Ainda com o rosto amassado do lençol, devem carregar as primeiras caixas com certa lentidão. Eles não são muitos. Conheço dois, mas sempre aparecem outros ajudando durante o dia. Talvez o mesmo aconteça de madrugada. Ou não. Depois de diminuir duas pilhas de caixotes, começam a suar e tiram a camisa. Deve ser nessa hora que começam a falar mais alto. Não posso entender as frases, mas como uma mudança, deve haver sempre alguma coisa que não deve sair do lugar, ou ser colocada acima, abaixo.

Durante o dia, a casa onde vivem pode ser vista do começo da rua. Mas da calçada deles só é possível ver uma das esquinas. Os caixotes fecham a visão do outro lado, e funcionam como uma parede de madeira que se estende do portão até o meio fio. As crianças que saem das vielas para brincar se aproveitam, pegam quatro caixas mais acabadinhas e montam seu campo de futebol improvisado.

Certa vez, houve uma guerra de tomates. Deveriam estar mesmo muito podres, pois nunca vi frutas ou legumes jogados fora por aqui. Se não foram recolhidos após a chepa pelos que não podem ser fregueses na feira, de certo não deviam mesmo prestar mais. Foi uma algazarra.

Imagine a trabalheira de montar uma barraca de feira: carrega caminhão, monta barraca, descarrega caminhão. Tudo pronto até as oito horas? Não sei bem a hora que começa uma feira. Minha mãe sempre foi depois das dez. Mas parece que hoje em dia o horário da chepa mudou para depois das onze. Também não sei a hora que termina. Mas o cheiro da barraca de peixe permanece na rua durante toda a tarde.

Depois de deixar os melhores produtos na frente da barraca, começam as vendas. Tudo isso para montar um mercado que só dura uma manhã. Não sei quantas feiras eles fazem. Aqui por perto tem no sábado, na quarta e na quinta. Mas eles devem fazer a mesma coisa nos bairros vizinhos. Ou até mesmo mais longe.

Alguém me falou, li em algum lugar ou simplesmente inventei, que todo mundo quer ter a feira o mais perto de casa, mas nunca na frente dela. E quem tem a feira dentro de casa? Eles têm. E me parecem felizes com isso. Aliás, já perceberam a diferença no olhar de um trabalhador que sua, literalmente, para conseguir uma remuneração? Percebam! Não existe a névoa dos que atendem filas por aí, com suas cadeiras de rodinhas e minimizando janelas quando a porta bate. O suor traz uma sensação de dever cumprido, de esforço, de ter valido a pena.

sábado, 1 de novembro de 2008

Nada de dia das bruxas aqui!

Hoje passei em frente a uma loja de artigos para bebês. Cruzes! Achei a loja linda, fofa... Enfim, fiquei babando. Será que há mesmo uma idade em que o ser humano começa a procurar um galho mais alto na árvore, levar palha e fazer o ninho? Poxa vida, nem cheguei na floresta!

Devaneios a parte, o Lee continua formulando uma cabeça para o blog, e eu estava com saudade demais pra ficar aguardando.

Metrô adiado – Reunião no nível do mar.
Diversão adiada – duas análises de vídeos.

Isso será apagado sem a menor sombra de dúvidas!

Ah! O DVD da Maria Rita está quebrando a banca. Eu não gosto dela... mas admito. A danada ta mandando bem pencas!

beijosenadadessaputariadeligarpraláepracá

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

ATUALIZAÇÃO!

Estou me aventurando em códigos html e volto já, já! E aposto que sem grandes mudanças, como sempre! xD

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mais um Circuit Breaker...

Desliguei o rádio. Estava tendo palpitações com os repórteres informando que o pânico tomava conta das bolsas por aqui e acolá. Um desespero só!

Aiii, que angústia desnecessária!

Isso também é sensacionalismo, oras! Ficar transmitindo o caos em algo que a gente não vê e não toca é horrível! E nem me venha dizer que dá pra ver e tocar em dinheiro. Até consigo, mas o da MINHA BOLSA!

Aiii, que angústia desnecessária!

Quanto ao Circuit Breaker, é aquela coisa de quebrar o cartão de crédito depois de dar um presente caríssimo pro namorado e levar um pé na bunda em seguida, manja? Não? Ah, então vai mode google mesmo!

1968 é um personagem!

Conheça a nova publicação da Revista Virtual da Unisanta

Por Márcio Calafiori*
A definição é do escritor e jornalista Zuenir Ventura, em entrevista a "1968", revista produzida por um grupo de alunos do terceiro ano de Jornalismo da Universidade Santa Cecília. O editor Rogério Amador conversou com Zuenir, num momento de folga nas andanças que o escritor tem feito pelo País para divulgar a sua nova obra "1968 — O que fizemos de nós". 

E o que fizemos de nós? Zuenir responde: "É incrível como a geração de 68 tem um olhar de antipatia com a geração de hoje. As pessoas falam que essa geração só quer saber do presente, não tem apego às ideologias, vive apenas de paradoxismos, mas para essas pessoas eu pergunto: qual o apelo que o jovem tem hoje para se tornar um Senador da República, por exemplo? A geração de hoje vive outra revolução, que é a revolução tecnológica. As principais descobertas nessa área foram feitas por jovens como o Google, a Microsoft. Portanto os jovens de hoje não são mais ou menos apáticos, só vivem situações diferentes." 

Ousadia, pernas de fora e polêmica! - Além da entrevista com Zuenir, a revista “1968” relembra os 40 anos da minissaia, a peça de roupa que revolucionou o guarda-roupa da mais ousada geração de mulheres que se tem notícia, geração essa que mudou os padrões de comportamento ao adotar a pílula anticoncepcional, ir para o mercado de trabalho e colocar as pernas de fora, estabelecendo um novo diálogo com o corpo e, em conseqüência, com a sociedade. A reportagem é de Gabriela Aguiar. 

A respeito da época a também editora da revista “1968” Aline Monteiro diz: “O espírito inovador dos anos 60 estava impregnado no cinema, no teatro, na literatura, na moda, na música e nas artes”. Por falar em artes, a aluna-repórter Gabriela Soldano recupera a história de um musical do teatro que se tornou um clássico e cuja estréia ocorreu há 40 anos. É o Hair, que em seu libelo contra a Guerra do Vietnã e a favor da liberdade chocou o público americano com uma cena de nu. 

A montagem brasileira da peça escrita por James Rado e Jerome Ragni, com músicas de Galt MacDermot — o tema mais famoso é a canção Aquarius —, também foi polêmica. A censura militar acabou concordando que os atores da peça — Armando Bogus, Sonia Braga, Ney Latorraca, Aracy Balabanian & outros — ficassem nus durante um minuto, mas desde que permanecessem imóveis no palco. Coisas da época. 

Política, Museu do Dops, estudantes, Zé Dirceu... - Como não poderia deixar de ser, a revista “1968” aborda também a política. 1968 marcou o mundo e o Brasil para sempre. Aqui, em dezembro, a sociedade mergulhou no recrudescimento militar, com a edição do AI-5. O aluno-repórter Bruno Quiteto esteve em em São Paulo visitando o Museu do Dops. Lá, pesquisou arquivos e esteve nos porões onde muitos presos políticos ficaram presos ou foram torturados. 

Ainda no terreno da política o aluno Jeifferson Moraes entrevistou o repórter Evandro Teixeira, um dos maiores nomes do fotojornalismo brasileiro. O foco da conversa é o livro “68 Destinos”. A obra trata de 68 personagens que aparecem numa foto antológica tirada pelo próprio Evandro Teixeira, no dia da Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, um protesto realizado em junho de 1968 contra a ditadura militar. Teixeira fez um trabalho de formiguinha: conseguiu identificar os rostos e localizar as pessoas uma a uma. Ele conta a história desses personagens e mostra as suas vidas 40 anos depois. 

Já o aluno-repórter Jordan Fraiberg recompôs a história do movimento estudantil brasileiro, um dos pilares da resistência contra a ditadura militar, e colheu o depoimento de um líder importante na época e polêmico na atualidade: José Dirceu. Este é um dos trechos do depoimento de Zé Dirceu ao aluno da Universidade Santa Cecília: “Uma vez na faculdade, comecei, então, imediatamente a atuar no movimento estudantil. Eu já tinha uma boa bagagem intelectual e política e lógico que não poderia aprovar a quebra da normalidade constitucional em 1964, o golpe militar, a deposição de um presidente legitimamente guindado ao posto. Então eu já fora um opositor ao golpe, embora ainda engatinhasse na vida política quando o presidente João Goulart foi derrubado. Um ano depois, em 1965, ao entrar na faculdade de Direito da PUC, o cenário era triste. A repressão do regime militar já havia fechado as associações atléticas e centros acadêmicos, havia censura ainda que não institucionalizada, livros já eram proibidos. Na época havia muitas referências e lideranças. Em 68, eu estava na presidência da União Estadual dos Estudantes em São Paulo UEE-SP e junto a outros companheiros, liderei célebre batalha da rua Maria Antonia, em 3 de outubro de 1968". 

A revista “1968” está boa de ler!

* Professor universitário

domingo, 5 de outubro de 2008

Ainda com olhar assustado

Relato de sexta-feira, finalmente publicado. Ufa!

Em mais um início de noite, lá ia eu para a faculdade. O ônibus confortavelmente compactado e o meu nariz há dois centímetros do fundo da bolsa da Lenice. Foi nesse instante que olhei para o mundo real e repleto de espaço lá fora, e presenciei uma das duas cenas mais engraçadas da minha vida:

Um garoto gordinho correndo na esteira de uma academia, ao mesmo tempo em que se acabava em um pirulito com uma das mãos, e a boca, claro. O inusitado foi mais forte e não pude conter um adorável e irreprimível: MEOO, OLHA A SITUAÇÃO DESSA CRIANÇA! No mínimo as 10 pessoas que estavam no raio de um metro de mim, já estavam viradas para a janela olhando o gordinho, que não se intimidava e continuava a devorar o docinho. Afinal de contas, a minha pergunta não é quem tinha colocado o doce na mão dele, mas QUEM COLOCOU O MULEQUE NA ESTEIRA, MEU DEUS DO CÉU? Eu apostaria pencas de Cebolitos que a mulher que estava na esteira ao lado da dele se fazia a mesma pergunta, ela estava mais sem graça do que o menino.

Mas como tudo na vida passa, aquele ponto de ônibus não foi diferente. Parei de pensar na cena para deixar de dar risadinhas soltas angustiantes que sempre fazem o seu interlocutor ficar com cara de bolinha. Mas ontem não era um dia normal. Não, não era! Uma ambulância passou pelo ônibus; mais que depressa olhei à frente pra ver se algo estava acontecendo. Mas a ambulância estava apenas passando, também. Então vi uma mulher correndo com um carrinho de bebê. A mente humana é impressionante, o fato de sentir o batente da porta e saber exatamente onde encostar depois para acionar o interruptor da luz é algo totalmente fudido – não consegui achar outra palavra agora. Mas faço esse adentro pra passar qual foi a velocidade que percebi que, uma mulher estava correndo com um carrinho de bebê. Algo grave estava acontecendo. Por que ela então não corria mais rápido? Talvez por causa do bendito carrinho de bebê. Mas a mulher me sai pra passear com o filho com roupa de ginástica? CRISTO, ELA TÁ FAZENDO COOPER EMPURRANDO O CARRINHO COM A CRIANÇA! 

Foi demais pra mim, me senti uma morta sedentária. Se as mães que são mães, submetem suas crias a ficar chupando pirulito em cima de uma esteira ergométrica e a ficar chacoalhando dentro de um carrinho. Só posso ter certeza que realmente, exercícios físicos fazem mais mal do que todos nós podemos imaginar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Como?

1. “Porra! Me larga, caralho! Eu mandei você me largar, porra!”
2. “Você precisa entender que a essa altura da minha vida, você é a melhor coisa que aconteceu.”
3. “Não vou ser como você que tira carta de motorista e não dirige. Onde toca a campainha?”
4. “Eu não sou criança, mãe! Ela me chamou de criança. Tem que ter respeito. Eu já tenho mais de 18 anos.”

Conversas soltas podem ser revoltantes, tristes, ternas e simplesmente conversas soltas.
Sem delongas.

1. Uma criança de aproximadamente 4 anos, com uma adulta que tentava segurá-la.
A adulta soltou.
2. Um casal maduro.
Ela parecia estar contando a ele alguns problemas.
3. Uma piveta metida a mulher de 11 anos, dentro do ônibus.
A adulta que acompanhava parecia achá-la fofa.
4. Um jovem loiro, bonito, com deficiências mentais.
A mãe o acalmava para que ele não se excedesse no ônibus.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Se um dia...

Algumas vezes, sinto vontade de ter nascido meiga, com uma voz suave e sem nenhuma força física (apesar de viver me perguntando se as mulheres realmente não conseguem abrir os potes de azeitona, ou se é puro charme).
Charme é outra coisa que seria legal eu conseguir transmitir. A supersinceridade que exala dos meus movimentos atrapalhados só me traz irmãos, tão irmãos que me vêem acordar.
No domingo é sagrado, estão na sala filando meu jornal (sim, jornal suja as mãos, mas tenho água e sabão em casa) e assistindo à corrida. Então surjo com o cabelo preso num coque louco no alto da cabeça, e em vez de escutar uma única piada, recebo um BOM DIAAAA, ISSO SÃO HORAS!??? de no mínimo três deles sentados no tapete, os dois do sofá são meus irmãos. Eles não costumam dar bom dia.
Adoro meus irmãos adotadinhos! Eles são mais legais comigo que os de sangue, fora o fato de saber absolutamente tudo sobre as namoradas deles (nem preciso falar o tipo de coisa que eles contam, né?), entender direitinho quando fico melhor com saia ou com calça (já ouvi uma teoria sobre bundas que explica isso, mas não é legal comentar) e saber exatamente como fazer com que eles façam algo que não querem, só porque eu quero. Opaaaa... um poder feminino, sabia que deveria existir um em algum lugar. Só falta direcioná-lo para estranhos! HÁ HÁ HÁ HÁ!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

devaneio

Você revira meu estômago procurando a chave certa.
Com medo de perder, engoli na hora errada.
Preferi guardá-la em mim, até que você pedisse.
Mas o ácido agiu.

LD

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sexta-feira campeã

O povo - com quem divido mesa de bar vez ou outra - tem sérios problemas em escolher qual o melhor ambiente para freqüentar [lê-se aquele que tem cerveja mais barata e não toque Calypso]. A última sexta-feira não foi diferente. Depois de passar por seis dos sete canais existentes em Santos, sentamos em uma espécie de pizzaria, churrascaria e afins.
.
.
.
Depois de várias pizzas, uma traz consigo um silêncio aterrador:
— Calabresa, frango e champions?
Tive dúvida.
— Como?
— Calabresa, frango e champions?
— Champions pra mim. Errr... por favor.
Todos da mesa olham do meu prato para a garçonete. E dela para a pizza campeã.
Quando a moça foi embora, gargalhadas e batidas de We will rock you ressoaram a noite inteira sobre a mesa.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Busca

O ciúme é pior do que qualquer certeza. Nem mesmo a destreza do melhor disfarce pode enganá-lo. Ele cega; e entrega a raiva como condutora. O ciumento, sem rumo, segue caminhando, até encontrar a si mesmo. No outro. Perfeito.

domingo, 31 de agosto de 2008

Apagão trigésimo terceiro.
Tenho pencas de coisa pra fazer. É... prática! E fico me enganando com um monte de voltas teóricas! Odeio isso!
Continuo buscando a aline maria!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Valendoo

Bem-estar?
Incongruente é o discurso de candidatos a vereador que defendem o bem-estar e a saúde da população, mas não se importam em deixar cabos eleitorais em pé por horas, debaixo de sol forte ou chuva, apenas para segurar cartazes de campanha. E pagando uma miséria por isso.

Publicado em A Tribuna - 29/08/2008.

Comentei sobre isso com a minha mãe no segundo dia de campanha eleitoral. Tudo bem que usei alguns termos que ela não aprova, mas é um absurdo. Tratar pessoas como postes, porque é proibido manter placas com aqueles dígitos idiotas é algo que só mesmo a vontade de garantir R$ 15 pode explicar. E não falo com arrogância e desconhecimento. Já entreguei muito panfleto por aí, de lojas, de políticos... Sim, de políticos! Mas não era tããããão tosco. Digamos que, só um pouquinho.

Vestir bonecos gigantes, segurar placas no meio da calçada e não conseguir explicar os projetos do cidadão para o qual você está fazendo tudo isso não é nem um pouco engraçado.

Tenho nojo das necessidades eleitorais, e medo dos nossos desejos imediatos.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Cartões amarelos

Esse está sendo um ano de se perder em medos; meus e alheios. Mais do que nunca tenho aprendido mais com os meus, e jogado a culpa sempre nos alheios. Isso era normal, enquanto não me incomodava e me fazia acordar com uma pomba desesperada no estômago, com mais um medo: o de levantar da cama e viver.
Pela primeira vez, talvez, esteja admitindo que a culpa seja toda e completamente minha. E não esteja colocando isso no calvário para o mundo ver e achar nobre. Mas ainda é difícil começar a consertar, colar as peças, sacudir a poeira, recuperar a moral... Esse tipo de coisa.
É triste pensar que parte da mudança é encontrar um equilíbrio que nunca existiu em mim. O da arrogância e da humildade. Mas acho que necessário mesmo é lembrar-se da responsabilidade.
Hoje uma série de vídeos me levou para o melhor ano dos meus vinte e dois (dois mil e quatro). Houve um resgate do olhar da menina que dentre os maiores medos, estava o de crescer. Sinto que essa menina perde a batalha sem ao menos procurar reforço.
Sinto ainda, que passou, e muito, do período de comprar minha própria panela de pressão. Acho que isso é o que mais me chateia. Preciso de motivação para trabalhar o suficiente e poder comprá-la. Mas a motivação mora em mim. Acho. Por que tão difícil achar?

domingo, 24 de agosto de 2008

Bom dia!

Coisa mais chata aquelas entrevistas de emprego. Se não bastassem elas, ainda há dinâmicas, desenhos retardados e redações de temas idiotas. Tudo isso, muitas vezes, pra te colocar atendendo telefone, e organizando arquivo. Tudo justificado pelo necessário processo de seleção.

Só de pensar nessa parte, acho que meu currículo já chega na empresa com tanta energia negativa que se destrói sozinho! Não antes das malditas organizações me chamarem e me deixarem com cara de "eu não estou interessada na vaga" quando começam com essa palhaçada toda.

Começo a ter certeza de que não estava brincando quando chamava a galera do cursinho pra vender coco na praia.

sábado, 23 de agosto de 2008

ainda pensando na aula de amanhã...

Hoje li um texto fofo do Paulo Leminski. O danado do texto estava no mural do corredor da facu, e me fez parar. Muito danado o texto, de fato. Vou deixar apenas um trecho...

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela ? silêncio perpétuo

*_*

Depois disso foi ouvir o ariano me pedir pra parar com as dorgas.
Droga! Ele disse que viu nos meus olhos, acho mais fácil ele ter visto em minhas mãos. Enfim.
Mas o danado sabe me fazer parar e pensar com apenas uma única palavra.
Eita menino.

Danado, danado mesmo esse menino, de fato.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

me chama quando terminar

Se há uma pessoa que faz comentários sem sentidos, cá está! Ontem me avisaram que tenho mania de pobre. Pelo simples fato de achar inútil um celular que conta passos, que o Astra tem design tosco e recortado – preste atenção no “paralama” dele – usei esse termo porque meu máximo é bicicleta -- - e uma máquina que fica focalizando os rostos das pessoas, bem chatinha de mexer. (ufa)
É tudo desnecessário e fútil, assim como os meus comentários. Todos desnecessários e fúteis.

Ainda odeio os ipods que pedem dedinhos giratórios! (arg)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

banho de lua [juro que não queria um título; juro]

Livre de pensamentos insanos, ela olhou para o céu; e a lua se desmanchou em infinitas estrelas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Blá, blá bláster!

A conversa era baixinha, algo entre timidez e discrição. Embora ele parecesse um daqueles que se tornam obcecados por tudo o que começam a fazer; tentava, sutilmente, encantar e convencer a menina. Ela observava o tênis surrado, e volta e meia o encarava nos olhos.

— Hoje você pode tentar Enem, bolsas de estudo... Pode ir pensando nisso! - Ele dizia sorridente com um livro que poderia tanto ser um daqueles enormes códigos de Direito, quanto aqueles, não menos paginados, atlas de Biologia.

É tão gostoso ver olhos negrinhos brilhando de ansiedade e esperança.

Conselheiro Nébias, 14 do mês doido de 2008.
Circular 02 - Em busca de acentos!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Uma mesa de bar

Quando tirar o fone vale à pena...

O "cardume" de crianças com bochechas rosadas deixavam a escola correndo. Na porta de um boteco, mexeram com a cachorrinha que habitava o lugar:

— Ahhhhhhhhh! - gritaria e mais correria quando a cachorra começou a latir atrás deles.

— Eeei! - disse um velho sentado à mesa com outros três beberrões. Dando tapinhas na cadela, ele falou:

— Eles são o futuro do Brasil, sua vaca!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Pra sempre meninos

Tiros! Quem já ouviu consegue distinguir o barulho de um, ou de 15. O lugar onde moro já me deu a oportunidade de ouvir muitos, observar de perto os resultados, contar cápsulas e buracos em muros, correr do lugar errado na hora certa, e dormir fora de casa por não poder entrar mais na rua.

Eu tinha sete anos quando ouvi os primeiros, foram três. E o resultado foi um homem caído com o rosto na lama. Minha mãe nos pegou pelo braço e nos levou ao lado do corpo. Depois que saímos de perto das pessoas, ela disse:

- Espero que isso mostre a vocês o caminho que nunca devem seguir.

Ela poderia ter feito aquilo em outra ocasião, porque foram muitos os corpos retirados daquela rua, e dos arredores, nos anos seguintes. Matavam bandidos, traficantes e usuários com dívidas. Mas também morriam amigos de infância, que por mais que eu tentasse, deixaram de olhar nos meus olhos quando escolheram o crime. Morriam amigas, irmãs de criminosos, por mera vingança.

Nesse fim de semana, morreram três. Três meninos que recebiam meus cascudos, xingamentos e piadinhas na rua. Dois deles, irmãos, ainda menores de idade. E o que mais participei do “crescimento”, com 19 anos.

O sentimento é tão normal que se torna estranho.

Quando chegavam os recados para tirar as crianças da rua, não agíamos desesperadamente. Simplesmente, passávamos a prestar mais atenção nos estranhos vestindo casacos enormes e nas motos que viravam a esquina.

Aliás, o homem que desceu da garupa de uma dessas motos gravou em mim uma cena inesquecível: o fogo saindo de uma arma. Foi a única coisa que vi segundos antes de correr. Desse tiro, não lembro do barulho, a imagem foi tão forte que anulou minha audição.

Depois do primeiro, mais 10 tiros fizeram a vítima correr uns 15 metros, passando onde estávamos eu, meu irmão e a namorada dele. Nesse dia a tragédia passou muito perto: um tiro atingiu o pé da minha cunhada. O homem, conhecido de todos nós, caiu. Sua camisa era amarela, mas estava completamente tingida de vermelho quando foi colocado no horroroso caixão do IML.

Nós todos vivemos tudo de muito perto. Fico pensando se essa normalidade invadiu a mente daqueles que cresceram comigo, e que mesmo vendo os resultados, persistem em escolher o caminho errado.

domingo, 3 de agosto de 2008

Teste de paciência

Era isso que eu estava fazendo tentando ler no meu quarto com porta, janela e cara fechada. A culpa é de um boteco na esquina da minha casa que decidiu subir ao status de "casa de show". Ainda não entendi muito bem o porquê, já que a casa é um espaço ocupado por uma mesa de sinuca, as caixas de som ficam na calçada - viradas para a rua - e o show é a voz horrível de um cantor de forró acompanhado daquele tecladinho maldito. Outra característica que mostra que "casa de show" não é o nome mais adequado para o lugar, é que são 18h39 de domingo e o infeliz já está cantando.

Há algum tempo não era tão ruim, afinal, antes do boteco, o lugar era ocupado por uma igreja evangélica, que conseguia oferecer cultos mais barulhentos que as reuniões do centro espírita que fica na frente da minha casa. O centro parava com os batuques na hora certinha, mas a irmandade varava a madrugada, e invadia até mesmo o barulho dos feirantes que começavam a preparar os caixotes para carregar o caminhão do dia. Eles moram na casa que fica do lado da Bastiana, que mora ao lado da Bila, que mora ao meu lado.

Eu deveria estar acostumada com o barulho, não? NÃO! Porque quando estava lendo o mesmo parágrafo pela terceira vez, a voz do cantor infame bradou:

- É isso aí pessoal, vamos hoje até umas três da manhã, hein!

Foi o meu limite! Elaborei minha estratégia de denúncia. Alvará, decibéis... Alguma coisa vai ter que me ajudar a calar a voz que nem sei bem se está lá ao vivo, ou se é reproduzida de um CD gravado em algum inferninho ainda maior.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Para quem pensa que entre o copo meio cheio, e meio vazio, o melhor é tê-lo pela metade.

Sim, solteira.
Sem você não passo frio,
É quando estou com você que não paro de tremer.

Sem você não perco o juízo,
É quando escuto tua voz minha que minha mente bate rápido e meu coração raciocina.

Sem você não morreria,
As chances de te tocar se perderiam para sempre.


Veja... é melhor deixarmos tudo como está.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Vai pagar quanto?

Foi virar a página e começar e cair na gargalhada! Quanto deve ter custado para a Folha de S. Paulo publicar este anúncio?

Durante dois dias – ontem e hoje – uma página iniciada com o logo de um jornal denominado O Paulistano, informava a morte do personagem Marcelo Fontini, da novela global A Favorita, escrita por João Emanuel Carneiro. Meia página de manchete, linha fina, retranca, texto, fotos, chamadas e até box estruturavam um conteúdo digno de estar exposto em revistas do tipo “leia aqui o próximo capítulo”. Exceto pelo fato de que o informe não tratava de capítulos futuros, mas de detalhar o que já aconteceu na trama da novela, que dizem ser das “oito”, mas que começa às 21h.

Admito aqui os motivos que me levaram a destacar esse informe publicitário dentro de um jornal que a cada dia tem mais páginas para anúncios: O sensacionalismo, o tamanho do espaço reservado e claro, o acompanhamento da novela. É, por mais que pareça desculpa, o horário da novela é o único momento em que a senhora noveleira minha mãe pára quietinha, e então, conseguimos trocar algumas palavras nesses meus dias de férias.

Percebi que estava assistindo demais quando meu irmão tirou sarro de uma das minhas frases durante a novela: “Nossa mãe, mancada da Flora, né?”. O infame rolava de rir no outro sofá: “Pra quem odiava novela... você tá indo bem!”, ele repetia. Mas voltando ao anúncio. Foi a primeira vez que vi algo do tipo. E acredito que tenha sido uma maneira de remediar um roteiro mal escrito, e totalmente sem direção.

Em casa, ao mostrar a página para minha mãe, meu pai perguntou: “Jornal novo? Onde você conseguiu?”. E aí, me pergunto de novo: quanto, mas quanto deve custar um anúncio que, além de rebaixar o texto jornalístico [pois apenas a forma remete a um jornal], confundi a imagem da empresa que o veicula, e se presta a corrigir, nas páginas dos jornais, possíveis falhas de um profissional que escreve para o público televisivo? Hein, hein?

>> scanner travado, fico devendo a imagem.
>> hoje, cotidiano - C11, FOLHA DE S. PAULO

domingo, 27 de julho de 2008

Você poderia arrumar uma chance. Arrumar porque ela poderia ser minha ou sua. Não há como saber. Será que nunca pensou sobre isso?

Eu penso muito, e cheguei até aqui. Sempre tendendo a arrumar o maior número de chances possíveis nessa minha vida maluca.

Cansada de ouvir o mesmo repertório, resolvi não ir mais ao show. Isso pode me fazer perder uma mudança de timbre, uma nova canção, ou o que é pior: o perfeito acústico das melhores canções tocadas antes da fama. O anonimato é o período de que mais sinto falta.

Mas acho que é melhor assim. E como boa aproveitadora de chances que sou: apenas acho que é melhor assim.

Só toque na minha rádio se for lançamento, sou péssima nisso, mas chegou minha vez de sintonizar. Espero poder te ouvir quando só estiverem tocando os antigos acústicos na minha cabeça.


Amanhã >> Latuya

Amanhã será talvez
Como nunca foi então
Sei que posso esperar
Amanhã talvez será

Amanhã o dia
Amanhã o céu e o mar
Tempo traz essa maré
Amanhã talvez será

O tempo vai parar
Assim mais uma vez
Com você aqui do meu lado

Um amor tão triste
Sua vida é esperar
Hoje aí sozinha
Amanhã talvez será

O tempo vai parar
Assim mais uma vez
Com você aqui do meu lado

sexta-feira, 25 de julho de 2008

evolução

o último a sair pode levar as botas, porque é por aqui que eu vou ficar. pelo menos por enquanto.

enfiada até o pescoço nos sons do manguebeat, coisas novas vêm ao meu encontro. e se estabelecem, veja!

fugindo para a ala dos loucos latinos brasileiros:

♪ - Na Confraria das Sedutoras, 3namassa
► Certeza

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Você Alguma Vez Viu A Chuva?

Alguém me falou há muito tempo
que há uma calmaria antes da tempestade.
Eu sei; vem vindo há algum tempo.
Dizem que quando terminar choverá num dia ensolarado.
Eu sei; brilhando como água.

Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva?
Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva
Caindo em um dia ensolarado?

Ontem e nos dias anteriores,
o sol estava frio e a chuva estava forte.
Eu sei; tem sido assim toda a minha vida.
E para sempre assim será
através do ciclo, rápido e devagar.
Eu sei; isso não vai parar, eu me pergunto.

Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva?
Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva
Caindo em um dia glorioso?

Yeah!

Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva?
Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva
Caindo em um dia ensolarado?


>> Creedence Clearwater Revival

sábado, 19 de julho de 2008

pipoca, fone e silêncio

BELLA, foi esse o filme de hoje no Posto 4. José, chef de cozinha no restaurante do irmão, abandona a cozinha durante um dia movimentado para acompanhar uma funcionária que acabara de ser desperdida do restaurante. Eles passeiam por Nova Iorque e fazem de um dia que tinha tudo para dar errado, um recomeço para suas vidas. De impacto apaixonante, tem a edição como diferencial.

♪ - Donkey, CANSEI DE SER SEXY
► Give up
Evoluindo, acho.


az - Cem Quilos de Ouro, FERNANDO MORAIS
Aprendendo, certeza.

** Móveis Coloniais de Acaju - Brasólia
** O Livro Amarelo do Terminal - Vanessa Barbara

quinta-feira, 17 de julho de 2008

PROGRAMAÇÃO INTERROMPIDA

Quando terminei de ler O Apanhador no Campo de Centeio, percebi que a imensa narrativa se compara a uma introdução que simplesmente termina antes de tomar corpo.

São inúmeras as coisas que deixamos para trás antes mesmo de começá-las. Por isso não senti tanta vontade de matar o autor. O que me perturba mesmo é esse estado de abandono que vivencio de mãos dadas a mim mesma.

Terminar antes de começar é pior do que terminar e não finalizar? Pergunto a Protógenes Queiroz.

Aliás, acho até que ele foi afastado por causa da camisa da Polícia Federal totalmente manchada que usou na entrevista coletiva da Operação Satiagraha (Estava manchada, não estava?).

Afinal, não se pode manchar a imagem da nossa polícia. Acho.


>>Foto: Danilo Verpa/Folha Imagem

domingo, 13 de julho de 2008

Hein??? Feriado quando???

Ainda era tarde do dia 8 quando minha mãe me avisou que o dia seguinte — do preguiçoso mês de julho — seria feriado. Juro que usei as minhas péssimas lembranças de atrevida pauteira para lembrar o porquê do feriado.

Associo a fraca lembrança ao estado de dormencia que alguns remédios me haviam proporcionado, mas nem a agenda que eu tinha manipulado no dia anterior me faziam lembrar que bexiga de dia era aquele que eu passaria em cima da cama.

O pai Google entrou em ação e me mostrou o dia precioso ganhado com a derrota militar da Revolução Constitucionalista de 32. Mas por que diabos eu queria mesmo saber isso? Ah! Claro, estava de atestado.

Prefiro evitar os acontecimentos que se arrastaram, literalmente, até o fim de semana. Mas as coisas sempre podem melhorar e se tornar mais saudáveis... menos eu! Manos de malas prontas e vaga no carro, eu disse: VAGA NO CARRO, para viajar para Cananéia. E eu? Eu poderia ir e aproveitar a tão falada Festa do Mar!!! Poderia? Não.... não poderia.

Trocando em miúdos, é uma sorte que Deus benza. E eu espero que Ele benza mesmo!!!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

descanso

Sem eira nem beira rastejo a procura da alma perfeita

não de outra, mas da minha
perdeu-se ao lado do copo, na última tragada
do último vestígio branco de cantos iluminados

não pela mão de outro, mas pela minha
prometeu não mais voltar e assim o fez
deixou-me só com o vazio eterno que sinto
na mente, no corpo, e na alma

mergulhar no sono traz ânsias

derrota

preguiça

.

.

.

durmo

terça-feira, 8 de julho de 2008

Um pastelão diferentão

Hancock — minha visão sem fundamento

Um super-herói negro, já começa daí! o.O Estraaaanho!
uhauhauhauhauhauha
O filme é bom. Algo me surpreendeu. Entrei com um preconceito danadão. Achei que fosse ver vááááários efeitos, com planos abertos, tipo os super-heróis típicos! Mas os planos fechados que foram usados me encantaram. Quem assistir vai perguntar como pude. Mas é algo que gosto.
Achei até que foram as únicas dicas de um final que na metade passa a ser esperado, e nem combinou com o roteiro a maior parte do tempo, mas enfim!

Perceba que mulher forte tem olho maquiado escuuuro! auhauhauhauahuahuahuaha "Falha terrível!"

A mensagem é maneira, e serviu!

Agora é só esperar uma telinha nacional:

Era uma vez: Trilha perfeitona, basta ver se o filme também é.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Invertendo a pirâmide invertida

Encontrei um tópico sobre uma das minhas melhores professoras do Ensino Médio em uma das comunidades do Orkut. A responsabilidade no ensino, a severa forma de avaliação e o ato de lecionar Filosofia e Geografia não foram lá boas escolhas feitas por ela. Em escola pública de periferia, filosofia é a maior viagem que a maconha pode causar a alguém.

Tudo bem que seus métodos não eram dos mais agradáveis, mas a bagagem sólida dos meus zoniados três últimos anos no Armandão passam pela Marilena, insistem no Edílson - professor de Matemática, que me faz ter remorso até hoje quando me lembro da maneira que me olhou ao lhe dizer que faria Jornalismo - e se confirma com o Tortuguita - Nelson - chatolino danadão de gramática e redação.

No primeiro ano me tornei uma pentelha from hell que saiu do fundão para estudar. Havia decidido que era hora do vestibular, e procurava, dentro das possibilidades, me esforçar um pouquinho mais. Tirei a professora de Português de vários cafezinhos no corredor, fiquei algumas horas a mais estudando divisão com vírgulas – Cristo, em pleno ‘colegial’ –, mas aprendi; acho. Estudava Biologia como uma futura admiradora de ervas naturais, mas nunca pensei nisso para vida. Definitivamente, só curtia as mitocôndrias. Eu continuava as minhas eternas visitas esporádicas à direção, mas essas não eram por matar aula, mas por debater com a vice. Ela não gostava de mim.

Muita coisa aconteceu, e não aproveitei metade do que poderia. Penso que tenho amigos que não aproveitaram absolutamente nada. E sei que há destes que nem se importam com o fato. Mas hoje à noite, vi que o Senado aprovou um projeto que destina 50% das vagas das universidades federais para estudantes de escolas públicas. Não quero repetir que as medidas escolhidas são sempre erradas, que o caminho mais fácil não é o melhor e que se devem corrigir coisas erradas da base, e não do topo. O blá blá blá hoje vai ficar na minha historinha escolar. Da notícia, exprimo o seguinte comentário: Estudantes de escolas públicas utilizam 50% das vagas das universidades federais, e freqüentam dependências de 80% das disciplinas. Juro que sem preconceito, pessoal, o buraco é muito, mais muito, mais muuuuuuito mais embaixo!

domingo, 29 de junho de 2008

Ontem sonhei que estava em Moscou...

As fogueiras dos sãos invadem as cidades
Queimam as vaidades e esfriam o quentão


Não vejo com bons olhos as festas juninas daqui
Talvez seja o preconceito de quem já passou o mês de junho na Bahia
Mas não consigo aceitar a festa do ridículo que se transforma um período tão especial

Ainda posso lembrar do cheiro da palha que cobria as barracas
Delas saiam fitas coloridas que se uniam no centro da praça, a praça do forró
Visão ampla não tive muita, ou conversava com amigos, no pouco espaço que conseguíamos, ou
estava bebendo, ou dançando, ou beijando
Antes, repudiava forró; e no final do quarto dia, dançava o pé de serra como uma nordestina nata
Mas nunca com o baiano perfeito que não dançava forró e nem comia acarajé o.O
E às 10 horas da manhã era hora de dormir
Pudera, dois palcos não são montados na intenção de deixar alguém parado
Nunca vou esquecer o gosto daquela bebida que levava água de coco;
Nem do sotaque que voltei falando em apenas algumas semanas;
Nem de como é bom ter os olhos beijados.

... Dançando pagode russo na boate Cossacou. Parecia até um frevo naquele cai ou não cai.

sábado, 28 de junho de 2008

Assim caminha a humanidade

Quando você pensa que conseguiu se safar porque virou o rosto na hora certa, e evitou que aquela pessoa chata se aproximasse, acredite: a pessoa chata está pensando a mesma coisa.

É como mudar a página da internet no momento em que alguém abre a porta. Ou se soltar do namorado, em um amasso daqueles, quando a sua avó entra na sala.

O que te motiva a continuar agindo assim? A hipocrisia do outro. Espera-se que, por mais que o ato seja percebido, nenhum comentário seja realizado.

Você entra no ônibus e se preocupa em pegar a passagem. É o tempo que tenho para olhar para a rua, ou começar um cochilo leve cochilo. Aí você passa mostrando na face uma vontade absoluta de encontrar um lugar no último banco do ônibus; e não me vê.

Cômodo. Continuamos a ficcional civilização, mas evitamos um tênue desgaste facial, regado a sorrisos largos e gestos obrigatórios.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

e é só senhor presidente.

Há quatro anos, eu pesquisava qual seria o candidato a vereador que teria a honra de receber o meu primeiro voto. Ficava lamentando o fato de não votar em Santos, lá eu teria candidato certo. Não que fosse o melhor, mas com esse sentava no bar, tomava cerveja e conhecia boa parte dos projetos. Mas eu morava, e ainda moro, em São Vicente; e era daqui que tinha que sair alguém.

Estudando projetos me inclinei para um. Noite chuvosa, e lá vou eu para o quintal de uma das casas do bairro para participar de uma reunião que envolvia o cidadão. Papo vai, papo vem. Lábia vai, lábia vem. E não via outra alternativa. Quer dizer, tinham muitas outras... e eu não ia procurar todas elas nem a pau!

Promessas? Inúmeras. Cumpridas? Sim... cumpridas. Não da forma que eu esperava, mas foram cumpridas sim! E trouxeram alguns benefícios.

Com meu primeiro voto, aprendi que as promessas não precisavam ser direcionadas para mim - fui à urna aquele ano com interesses pessoais até o último fio de cabelo.

Melhor seria se elas não existissem, acho até que estão foras de moda. Mas o que tem de gente retrô por aí não tá escrito.

terça-feira, 24 de junho de 2008

...

Um dia tentei entender o poder da pinha. E quase fiquei doidinha também. Tenho meus medos de descobrir a verdade, ô se tenho! Mas nada me impulsiona mais do que passar a noite em claro, esperando o responsável pelo aperto no peito chegar.

Aquele sorriso irônico só consegue me causar mais ódio. Sentimento que tá se voltando pra pessoa errada, porque sei que não é ele. Não são dele as palavras chulas, nem o olhar de raiva constante, nem o sono na hora errada; muito menos o desprezo.

Como uma criança que apronta, sai correndo atrás do rastro, grita frases destoantes, foge do convívio familiar. Não ele, mas este, que Ele sim vai me ajudar a enfrentar. Não é bom comprar a briga, mas é isso que estou fazendo neste exato momento. E só de escrever a dor volta e sufoca. Mas vou arrumar forças pra arrancá-lo de lá, nem que perca tudo o que não tenho, nem que abandone a sanidade no meio do caminho. Nem que tenha que ficar dia e noite ao lado da maldita pinha, porque eu sei que a resposta passa por ela.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

E se beber, não dirija! [mania maldita de títulos nada a ver]

Ela andava com os braços cruzados sobre o colo. A chuva havia bagunçado todo o cabelo, que agora escorria pelo rosto e se misturava àquela expressão vazia. Não havia por que correr. A casa ainda estava longe, e a chuva era, de fato, torrencial.

Paula havia bebido durante toda a noite. Ela não esperava voltar dirigindo porque nem bicicleta tinha. A certeza de que não precisaria colocar a boca em bafômetros oferecidos com olhares maliciosos por malditos rodoviários pessimamente fardados foi a principal responsável pelas caipirinhas, vinhos e misturas, que nem ela conhecia o conteúdo. Beber com os amigos era mais que divertimento, era uma obrigação. A única maneira de mostrar que estava por perto, descobrir as novidades, arrumar pequenas discussões que não demonstravam mais que afeto e dormir como um bebê quando se jogava na cama cheia de roupas que deveriam estar no guarda roupa.

Era difícil fazer outro tipo de programa nas sextas. Já no sábado, as promessas de mudanças comportamentais eram repetidas pela boca que espirrava pasta de dente no espelho, enquanto as olheiras eram praguejadas. Mas voltar para casa depois do trabalho e ficar vendo televisão sozinha na bendita sexta-feira era um verdadeiro martírio. Não importava se naquele dia ela tivesse saído às ruas com algo que mais parecia um pijama, sexta era dia de pedir uma ligação pra celular no PABX da empresa e pegar o ônibus que passasse mais próximo do ponto de concentração escolhido na semana.

Naquela sexta-feira, era preciso subir em qualquer coisa que cobrasse tarifa intermunicipal, o que já era um absurdo para os bolsos. O destino: um posto de gasolina. Uma piadinha sobre o consumo de álcool parou antes de chegar às cordas vocais de Paula, quando conversava com Juliana ao telefone.

— Mas no posto? – perguntava ainda incrédula.

— É! A galera tem colado lá. Depois a gente pensa pra onde vai.

Juliana tinha sempre a mesma desculpa para os encontros que marcava em praças, fliperamas e esquinas estranhas. Depois que todos estivessem lá, a idéia era ir para outro lugar. Mas sempre faltava alguém, que um outro saia para buscar, ambos sumiam do mapa em um mundo de celulares pré-pagos, e todos os outros esperavam os primeiros voltarem até umas seis horas da manhã.

Quando Paula chegou ao posto, o álcool já havia saído das garrafas como verdadeiras bombas e, no mínimo, subido à cabeça de alguns garotões que disputavam quem tinha a bazuca do carro mais potente.

— Em vez de som, essas coisas poderiam conter munição – sussurrava para si mesma – seriam bem mais úteis.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Online - Unisanta

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OURO DA CASA

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A sala branca e vazia fazia contraste ao vidro escuro, pelo qual podia-se ver os alunos entrando e saindo na portaria da Universidade. O silêncio e atenção ganhavam de qualquer disputa que fosse realizada contra o laboratório de química, ou mesmo contra algum outro de anatomia.

Todo o branco do chão, das paredes, e até das falsas paredes (biombos para exposição), se mostrava eficiente no poder de neutralizar sensações, pelo menos em mim. Eu, naquele momento, poderia receber qualquer informação, que o ambiente não me influenciaria em nada. Dispostas na sala, pinturas em um formato próximo daquele que mais usamos no dia-a-dia. Ah! Quatro. Quatro paredes, de fato, bastam para oferecer belas imagens, medos e desejos.

Comecei pelas pinturas de traços mais fortes, que enchiam a folha. As legendas faziam referência a um BAR. Pudera, alguém que desenha a loira do banheiro mais sexy que já vi não poderia estar em outro lugar no momento da criação. A magra figura de cabelos escorridos até a cintura e vestido branco transparente oferecia um convite ao banheiro mais próximo aos garanhões, que exclamavam: “Se no meu tempo ela fosse assim, eu não teria medo!”. Para mim, e para a colega que estava ao meu lado, o convite era outro. Os olhos brilhantes e sem pupilas nos seguiam por onde fossemos, causando admiração e medo. Fazendo-nos lembrar do passado assustado nos banheiros das escolas.

Nas outras paredes, charges. O autor destas poderia desenhar com as mãos nas Costas. Afinal, a principal característica de suas obras estava mais presente em sua personalidade, que em seus dedos. Não que estes não tenham seu mérito, longe de mim. Mas nunca pensei em uma equilibrista caminhando sobre a corda bamba para entrar no circo armado sobre um homem na cama. Isso passado para o papel, com traços alegres e festivos surpreende qualquer um.

Essas são apenas algumas das imagens que me empolgaram na pequena sala branca. Lá, os professores Bar e Da Costa expõem suas obras - premiadas no exterior - e aguardam as visitas, principalmente, dos passantes das catracas da portaria da UNISANTA.

A exposição acontece na Galeria de Arte do bloco M, Rua Oswaldo Cruz, 266, das 19h às 22h, até o dia 23 de maio.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Atrás das cortinas


A cidade estava molhada. Havia chovido durante a tarde toda, e o vento cortante do início de um adiantado inverno invadia as frestas das janelas.
Um bolero antigo, cantado em espanhol, se ambientava nas passagens dos letreiros luminosos de motéis que clamavam por atenção na avenida.
Ela fechou os olhos e se viu vestida da maneira mais brega que pôde. Brincos e colares enormes, vestido curtíssimo e batom vermelho. Os olhos semi-cerrados de ambos se divertiam a cada passo e movimento de cabeça oposto. Ao redor, todos sorriam e aplaudiam.
Ela aprendeu a dançar.