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A cidade estava molhada. Havia chovido durante a tarde toda, e o vento cortante do início de um adiantado inverno invadia as frestas das janelas.
Um bolero antigo, cantado em espanhol, se ambientava nas passagens dos letreiros luminosos de motéis que clamavam por atenção na avenida.
Ela fechou os olhos e se viu vestida da maneira mais brega que pôde. Brincos e colares enormes, vestido curtíssimo e batom vermelho. Os olhos semi-cerrados de ambos se divertiam a cada passo e movimento de cabeça oposto. Ao redor, todos sorriam e aplaudiam.
Ela aprendeu a dançar.
Ele entrou, olhou para os dois lados procurando. Encontrou.
Ela passava a mão direita nos cabelos, as pernas juntinhas respeitavam a saia e o olhar longe observava a praia, que passava rápido pela janela.
Ele se sentou e tentou não tocá-la, encostando-se cuidadosamente no banco.
Perto, percebeu o blush no rosto dela. Um pouco forte, mas era agradável ver aquele tom rosado em uma manhã tão sem graça.
Assim que ela o olhou, soletrou “bom dia” com um belo sorriso, ele retribuiu movendo timidamente os lábios.
Então começaram... Primeiro o tempo, depois, o clima, a orla, o ônibus, o povo, o governo, a cidadania, as pessoas, os relacionamentos, as tristezas, o desabafo.
Ela era realmente uma boa ouvinte. Falava nos momentos certos e mantinha a atenção no desabafo dele, que falava tristemente da doença de sua mãe.
Depois que ela lhe disse algumas palavras de conforto, ele fez menção de levantar; pode ver de novo o sorriso no rosto dela. Agora a mensagem foi dita:
- Vá com Deus meu filho, e que o Senhor esteja sempre com você! – disse a senhora, ajeitando novamente os lisos cabelos brancos que saíam de trás da orelha.
Ela abre o jornal. Do cinza, só consegue extrair o passado. Boas sensações, prazeres. Não vê, não lê. Apenas pensa, imagina, sente.
Perde-se em devaneios, mas não pensa no futuro, não idealiza. Sonhar é uma realidade imediata, que some ao primeiro toque de telefone. E volta sem aviso, quando outra cor retoma o cinza.
Não me sai da cabeça uma Casa no estilo Big Brother com 81 jogadores. Fico triste em pensar que o nosso Renan pode acabar como um Ban-Ban, fortalecido depois de enviado tantas vezes ao paredão.
Afinal, Calheiros ainda deve enfrentar mais três representações por quebra de decoro. Ou seja, existem mais três condutas do nosso fanfarrão que vão contra aquela que deve ser adotada pelos políticos do Brasil.
Se alguém aí puder me esclarecer qual a conduta que os nossos políticos deveriam adotar... Porque não acredito que o Renan tenha feito algo que já não estejamos acostumados a ver. Seja no senado ou no nosso cotidiano.
Com certeza alguma vez na vida você já foi chamado de cabeção. Cuidado! Se a sua capacidade craniana não estiver nos padrões dos homens (homo sapiens sapiens) você será certamente um perfeito objeto de estudos. Ainda mais agora que já existem dúvidas sobre o processo de evolução dos sapientes.