domingo, 3 de maio de 2015

Só observando...

Estou aqui tentando lembrar quem foi que me explicou quem é Marina Abramovic. Não estou conseguindo. O fato é que em busca do que fazer em São Paulo este fim de semana, encontrei a exposição “Places of Power”, e fui ler um pouco mais sobre Abramovic. Claro que fui parar no vídeo da performance “The Artist is Present“; no momento em que ela abre os olhos e se depara com Ulay, que foi seu companheiro durante mais de 12 anos. Foi aí que lembrei que tinham me falado dela. Alguém me contou da caminhada que Marina fez com
Ulay, percorrendo a Muralha da China em caminhos opostos para se encontrarem e, então, terminarem o relacionamento.


Voltando ao vídeo em que o casal se reencontra na performance, a emoção dela é tão latente, que invade os pulmões, a garganta e, no meu caso, os olhos, porque chorei copiosamente. E embora o vídeo ao qual eu assisti fosse apelão (estava tocando The Scientist, do Cold Play), acho que chorei mesmo por imaginar tudo o que podemos pensar durante um minuto encarando, em silêncio, alguém que já amamos um dia.

É engraçada a relação que tenho com o amor quando consigo apenas observar. É bonito. É romântico. Doce. Terno. Quando me aproximo dele, geralmente a coisa muda de figura. Não que se torne ódio, mágoa e rancor. Mas é sofrido. Desgastante. Pesado.

No mesmo instante em que me emociono com as histórias lindas de amor e cumplicidade, me pego pensando que elas não existem, que estão extintas, e que é impossível alguém vivenciar isso hoje. Mas no momento seguinte suspiro pensando que quando encontrar a minha história poderá ser tão encantada quanto a que li, vi ou ouvi.


Estou em um ano romântico. Daqueles que você acha que alguma coisa vai acontecer. Já tive alguns desses na minha vida. Algumas coisas aconteceram. Arrebataram. Uns dizem que nesses casos “não é amor, não; é paixão”. Eu digo que foram amor sim. E que o dia que encontrarem o conceito absoluto de amor, patenteado, daí sim eu mudo de ideia. Até lá, continuo amando do meu jeito; a torto e a direito.

Cara, acho que foi a Larissa quem me falou dela, ó. 


#MarinaAbramovic #Interestelar #MassimoBottura 

domingo, 17 de agosto de 2014

da série: meus marcadores

Adiciono marcadores mentais aos aprendizados sobre mim, sobre os outros e sobre a vida. E tento frequentemente relacioná-los a atitudes e situações difíceis que aparecem na minha rotina. Quão psicodramático isso parece? Não sei, cara! Não sou terapeuta, ok?

Esta manhã, enquanto pendurava roupas no varal, lembrei de alguns deles e percebi que todos os marcadores que mantenho sob a categoria amarelo piscante surgiram de relacionamentos. Ah, os relacionamentos! "O amor é importante", concordo. Mas, e os relacionamentos de modo geral? Aqueles simples, sem rótulos imediatos e complexos de amor, paixão ou luxúria. Quão importantes são eles para nós?

Eu, respeitadora da “tradicional escola budista Tibetana da seita tântrica do chapéu cor de papel”, acredito que relacionamentos são tão, tão, mas tão importantes para nós, que geralmente se elevam à potência máxima de prioridade na vida quando você está sozinho. Sim, sozinho! Sem eles! Você só vê isso com necessidades básicas do ser humano, né não? Maslow que me desculpe, mas, mesmo que na base da pirâmide haja sexo, que conceitualmente depende de mais alguém, esperar o terceiro patamar para precisar de relação com terceiros, afeto e sensação de pertencimento a um grupo hoje em dia? Sei não, tem que ver issaê... Enfim, deixo as divagações de lado e tento arranhar meu argumento:

Meu marcador mais recente é sobre “morar sozinha”. Há pelo menos um ano embarquei nessa de conviver comigo mesma em um espaço de 20 metros quadrados. Não entrei em depressão [pelo menos não profunda], não fali financeiramente [este mês] e não fui expulsa do prédio [ainda], o que já é ótimo. Mas, daqui do meu cantinho, de onde saio para encontrar as pessoas de carne e osso, e para onde volto - às vezes com pessoas que considero que aguentam dividir essa metragem comigo -, marquei mais um aprendizado: o de que saber se relacionar é tão importante quanto saber [de fato] ser sozinho.

Tenho fé de que conhecer a si mesmo permite a compreensão plena do outro. Respeitar suas próprias vontades torna possível o entendimento dos desejos individuais do coleguinha. Conviver no unilateral traz reflexões sobre o conceito da reciprocidade, e te faz perceber que ela não é obrigatória. E por aí vai... Os antônimos vão deixando, muito lentamente, de te contrariar para te fazer pensar, ponderar, respeitar os outros e a si mesmo.




domingo, 3 de agosto de 2014

Novos templos

Minha ideia-mor de comunidade é a que aprendi ainda na infância e com forte influência do cristianismo. Na verdade, a partir do convívio com um pároco da igreja católica que, diferente do que vemos por aí:

• não cobrava por sacramentos e não se dobrava sem questionamentos ao que ordenava a diocese;
• reforçava, sim, questões sociais e políticas na homilia [esclarecimentos e conselhos a partir da análise do evangelho], fazendo com que nos preocupássemos com o que estava acontecendo no bairro, cidade, estado ou país;
• preferiu viver em um barraco na favela México 70, em São Vicente, a usar a casa paroquial cedida pela diocese;
• levantava recursos para as suas igrejas por meio de rifas e de ações que nunca apelaram para insistentes pedidos de doações e dízimos;
• construiu, literalmente com os pedreiros das comunidades, cerca de 10 capelas em São Vicente; o que possibilitou à diocese dividir as regiões e criar mais uma paróquia na cidade (!).

Só hoje fui ler a primeira linha sobre o Templo de Salomão. Estava com preguiça. Respeito crença, fé, religião e doutrina; e essa é a única razão pela qual preferi compartilhar a minha concepção de igreja em vez de tentar descrever o sentimento que tenho ao ver a ostentação dos templos, sejam eles quais forem, e as suas artimanhas.

sábado, 2 de agosto de 2014

Má ôe!

a história é sempre a mesma: elas acham que estão engatando um relacionamento bacana e vão se mostrando, se entregando. eles...

- eles o que, minha filha? tu tá doidona? não tem ninguém aqui, não!

não é necessário reunir mais do que duas mulheres para ouvir uma história de chá de sumiço, a estratégia masculina de desaparecer da vida das mocinhas por motivos de:
  • não estou interessado em um relacionamento – geralmente informado à garota quando ela procura o cara depois de um desaparecimento de duas semanas; afinal, era melhor respeitar o espaço dele;

ou
  • caguei mesmo e não vou perder meu tempo parando pra te explicar por que já tô em outra–interpretado pelas mulheres após a ausência de respostas nas plataforma social toda que mostram a última vez que o cidadão visualizou as tentativas de contato. ~ maldita tecnologia acabando com a autoestima da geral.

aí a moça se recompõe, coloca os hemisférios norte e sul do cérebro pra trabalhar a fim de entender que porra deu errado. em tempos de copa, há quem diga: “o que deu errado é que as bolas não entrou!”. e dessa frase [que admito só ter usado por ser a minha preferida do #tatendocopa], o único significado que orna aqui é: não importa o malabarismo que tu fez, mina. não foi suficiente.

e é essa sensação de não ter feito o máximo, de ter culpa no cartório, de ter cobrado demais, de ter dado espaço demais, de ter sido transparente, de ter omitido sentimentos, de ter cagado no maiô ou, até mesmo, peidado na farofa que deixa as mulheres doidinhas. sem eira nem beira. sem saber como lidar com o próximo fanfarrão que vai colar na grade pra fazer senhorita pagar de louca.

porque sim, só podem ser loucas essas mulheres que acreditam que o interesse é verdadeiro e vai durar mais de um mês. doidas. doidas demais.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O velho sonho...

Assisti novamente a dois filmes pelos quais sou apaixonada: "O jardineiro fiel" (Fernando Meirelles) e "Todos os homens do presidente" (Alan Jay Pakula). Por causa deles a minha vontade de apurar, checar e escrever poderia facilmente ser representada hoje com uma sirene que gira tresloucada emanando luzes vermelhas berrantes!

A prova de que esquecerei essa sensação antes de quarta-feira?  Deletei quatro parágrafos que discorriam sobre isso aí embaixo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Ah... a paciência...

Há semanas em que a vontade maior é de abandonar o próprio corpo e correr desesperadamente para longe de si mesma. Nesses dias sempre falta paciência e bom senso, combinação que não é muito bacana. Daí você adiciona um pouco de insônia e pronto, a bomba está pronta para explodir depois da ingestão de quilos de gorduras, açúcares e carboidratos.

"Paciência gera bondade". Esse é o mantra que você precisa seguir para ver as coisas dando certo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Esperança

Faz calor.

Ela coloca no chão a sacola pesada e com a mão livre afasta o cabelo do rosto. No outro braço segura o bebê que dorme suado, cansado de ser carregado sob o sol. Ela inspira e ergue a cabeça.
- Chegamos! - diz para o mais velho. Ele tem apenas 11 anos, mas já sabe como ajudar.

Enquanto ela espera, ele empurra com o ombro o pequeno portão de madeira e também coloca a sacola que trouxe no chão; assim consegue segurar o portão, mantendo-o aberto. Os dois irmãos do meio passam correndo. A mãe espera.

Do lado de fora só é possível ver os dedinhos, depois de alguns segundos, surge o rosto curioso:

- A senhora não vai entrar?

Ela não se mexe.

- Mãe?
- MÃE? - grita o menino.

Só então ela acorda.
- Sim! Já estou indo!

Ela caminha devagar. Desta vez, é o menino quem espera.
A mãe passa, ambos viram e se entreolham.

Há uma semana não vendiam nada. As sacolas com os panos bordados voltavam carregadas dia após dia.
A mãe era toda dúvidas: como alimentá-los, como melhorar? Mas também era sabedoria.
Ela continuou a olhar para o filho e sorriu de modo afável.

- Vamos, filho! Entre e encoste o portão. Amanhã começam as aulas, você precisa acordar cedo.

O menino balançou a cabeça, entendeu e obedeceu.
Obedeceu todos os dias.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ano Novo - Promessas novas!

O recomeço sempre tem um gostinho especial, não é? Pois então, vou tentar de novo!
Eu admito: estou em lenta recuperação, tentando ao máximo não sofrer outra recaída e abandonar o blog pela 53ª vez. Sendo assim, vamos trabalhar um post de cada vez.

Começo pagando uma dívida antiga: um pequeno perfil a um grande amigo.

...

Duanne, preste atenção! Por mais clichê que pareça, meu caríssimo colega e amigo, é pelo seu nome que preciso começar. Até mesmo porque não fui eu testemunha, até hoje, de uma única conversa guiada por você que não tenha contado com um firme, sonoro e bem pronunciado vocativo, antecedido por vezes de um adjetivo carismático e de um dedo em riste; como se uma grande ideia houvesse acabado de surgir! PLIM!

Será esse comportamento a artimanha do jornalista que chega aparentemente desinteressado, mas que por fim observa, questiona e argumenta com extrema inteligência? Talvez nunca saibamos! Afirmo isso porque é mantendo-se como bom ouvinte e com muita introspecção que Duanne turbina seus pensamentos durante uma conversa. Ele lança ao vento – juntamente com gestos das mãos – perguntas retóricas finalizadas com olhar perdido e pose de pensador. E quando se volta ao diálogo, só falta perguntar: Qual é o próximo assunto?

Se você pensa que o cerne da questão abandonou a mente do jornalista a partir daí, enganou-se. O assunto, seja ele qual for, pode ganhar mais força quando a energia concentrada nos pensamentos desse menino é transferida para os textos que ele escreve. Éticos, seus registros podem até manter a objetividade jornalística, mas nas entrelinhas é possível encontrar o filósofo que habita o repórter. E acredite: ambos vivem em harmonia.

Não me julguem por chamar de menino o jornalista, produtor, editor, colunista e filósofo Duanne, O. Ribeiro. Pois, por mais que o admire - e não é pouco - ele nunca deixará de ser, para mim, o rapaz que usa casaco amarrado na cintura, que divide uma boa gelada e que circula por aí - meio corcunda - em busca de boas histórias. Seja para ver, ouvir ou escrever.

domingo, 27 de março de 2011

No meio do caminho havia uma pedra

Como previsto hoje de manhã, o dia foi ótimo. Reforcei até um conceito: "Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare". Cheguei ao fim hoje em duas situações, e já parei. Em compensação, achei o início de outra regada à música. E essa tá só começando...

PS. Alguém me seguuuure!

sábado, 26 de março de 2011

Brisa de sábado de manhã


O sol está maravilhoso! Eu poderia estar na praia, ao lado de um isopor repleto de cerveja. Sim! Seria perfeito. Contudo, não há problema ... porque, além do clima, quem vai fazer esse dia ficar bom, soy yo!

Para melhorar, a Penélope poderia estar aqui. Tô com uma vontade imensa de pedalar... Enquanto ela, ou a Dadá não sobem a Serra, vou gastar energia com a faxina de sábado mesmo.

Na foto, a vista da vizinhança na Água Branca. Demorou, mas, finalmente, começo a me sentir parte dos lugares por onde passo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Visões paulistanas

Claro que você já ouviu que São Paulo é uma cidade cinza, mas preciso dizer que não só de concreto e poluição vivem os homens daqui. Ao dobrar algumas esquinas, as cores pulam sobre você e te enchem os olhos, e a alma.

No meu atual trajeto para o trabalho, passo por dois cemitérios repletos de vida. Juro! Não são apenas as cores das bancas de flores, mas também dos muros grafitados. São os cemitérios do Santíssimo Sacramento e o cemitério de São Paulo. Por mais fúnebre que a frase possa ser: são lugares acolhedores.

Bom, por causa das cores, tenho a minha mais nova rua preferida. A Cardeal Arcoverde é uma rua fofa! Lá as lojas de móveis antigos esbanjam charme com curvas sensuais e cores quentes. Sem contar que Arcoverde me lembra Cordel do Fogo Encantado, e aí já me dá aquela vontade absurda de conhecer Pernambuco. Mas como estamos falando de São Paulo, e pra piorar, da capital, deixarei meu tesão por cidades pequeninas para depois.

Eu gosto daqui. Gosto do dia e da noite. Gosto especificamente do ar da manhã e dos paulistanos típicos com os quais pego ônibus na volta pra casa. Como são os paulistanos típicos? Os seus eu não sei, mas digo que os meus são cabeludos, narigudos, branquelos, alternativos e, por mais incrível que pareça, bonitos! Afinal gosto não se discute, não é?

"Agora a chuva parou. Só está frio e muito bom. Não voltarei para casa. Ah, sim, isso é infinitamente consolador" - De "A Fuga", Clarice Lispector.

sábado, 30 de outubro de 2010

Por que anulei meu voto…

O processo eleitoral de 2010 foi o que acompanhei de maneira mais passiva. Não falei sobre a minha opinião, não discuti com quem tinha ideias diferentes das minhas, não acompanhei com atenção o noticiário, não pesquisei a vida dos candidatos, não, não e não. Assim, não poderia eu demonstrar de outra maneira essa negatividade toda se não fosse pelos zeros na urna eletrônica.

Para que saibam, fui petista, elegi o Lula, e não acredito que ele tenha presidido de maneira ineficiente. Vi, de perto, o desenvolvimento de muitas famílias que dependiam da ajuda da comunidade para se alimentar diariamente. Se você acredita que a única diferença é que agora o papai é o Governo Federal, engana-se. Vi muitas dessas famílias crescendo a paritr deste auxílio incial, passando depois a caminhar com suas próprias pernas. Se essa é uma minoria ou não, já é outro problema, o importante é que alguma coisa precisava ser feita.

Usufrui de uma política educacional da qual não concordo 100%, o Prouni. Isso porque educação se melhora de baixo pra cima e não facilitando o acesso à universidade como está sendo feito. Porém, é necessário começar, e ao menos um passo foi dado.

Sobre a corrupção? Contem-me uma novidade. Sinto-me mais frustrada por percebê-la infiltrada em um partido com o qual simpatizava, mas conformismo por conformismo,  cada escândalo é apenas mais um.

Há quem diga que não houve governo com tantas denúncias de corrupção. Discordo. Acredito sim que não houve antes governo em que o mercado de dossies fosse tão movimentado e divulgado na mídia; o que não justifica em nada o comportamento dos nossos adoráveis representantes.

Portanto, declarei que não tenho candidatos e que não iria escolher por um menos pior apenas para votar. Acredito tanto na democracia e na importância e validade do voto que abomino uma escolha baseada no “menos pior”!!! Por isso usei o meu direito e dever para mostrar o que eu realmente quero: nem Dilma, nem Serra. Você vai me perguntar o que eu quero, e vou te responder: não sei.

E se você me perguntar porque não voto Dilma, se eu disse aqui em cima que não achei o governo Lula ruim, respondo a você que eu não confio nela. Acho-a insegura, despreparada. Não ligo para os rótulos de bandida e terrorista, pois o período pedia ações extremas, o que talvez esteja precisando ser feito hoje para sairmos do sofá e dessa passividade que, admito, também pode ser vista em mim.

Diante das circunstâncias, pego-me pensando que deveria então assumir um candidato ao qual nunca dei meu voto por incompatividade ideológica: José Serra. Infelizmente, sou obrigada a dizer que prefiro ele à Dilma. Isso porque tenho certeza de que ideologia não existe mais, nem nos partidos políticos, nem nos homens públicos e principalmente em nós. Depois, porque acho  difícil retroceder uma política social que foi iniciada por Ruth Cardoso e consolidada no governo Lula.

Então, contradigo-me e termino dizendo que prefiro sim, a segurança e o jogo de cintura de José Serra, à voz embargada e discurso pronto de Dilma. Porém, a minha motivação não é tão forte a ponto de me fazer descer a serra para votar. Amanhã, justifico meu voto pela primeira vez.

Boa sorte para nós, voltamos a falar em 2014.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Rua Harmonia

Sensação boa de reconhecer os caminhos, saber onde se está e para que lado ir. Penso em novos objetivos, mas antes deles é necessário, pelo menos, trabalhar amanhã!

Portanto, boa noite!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

tragapracáQUASEtudo

Opa! Achei que estava na hora de voltar a escrever. Afinal, que graça tem começar a realizar um objetivo traçado há tantos anos, se não se pode registrar as mudanças que isso causa em si, e nos outros?

Depois de quatro anos buscando a suada formação como jornalista, terminei a faculdade. Não interessa se os últimos meses foram suados na mesa do bar que ficava em frente a Unisanta. O que vale é saber que o TCC foi aprovado com 10, para surpresa desta que vos escreve.

Depois de alguns meses dedicados à família, comecei um freela a partir da indicação de um amigo. Assessoria de comunicação de uma organização cultural. Aprendi bastante lá, mas três meses foram o limite. Depois disso, voltei para a vida de desempregada. Foi então que reforcei as buscas por um emprego em São Paulo, algo que eu queria desde sempre.

Depois de subir e descer a serra uma ou duas vezes por semana para realizar entrevistas que nunca tinham uma resposta favorável, decidi subir de vez.

As primeiras impressões de uma cidade a qual eu só conhecia o subsolo até então foi no mínimo interessante: ônibus com portas dos dois lados e integração gratuita, gays por toda parte, barulho de carros durante a noite, pressa generalizada, trânsito, shoppings, cinemas e teatros em cada esquina, mulheres circulando nas ladeiras de salto alto, negras lindas com cabelo afro de fazer inveja a Chico César, botecos a cada três imóveis, frio e umidade zero no ar, três opções de jornais populares nas principais avenidas e inúmeras opções de trabalho na área. É... algum deles teria que ser meu.

Com o terninho preto, e os inúmeros currículos impressos, comecei a busca. Depois de dois meses, quando estava pensando em ser uma operadora de telemarketing com a língua presa, minha chance chegou. Fui contratada depois de participar de uma entrevista com calça jeans e mostrar meus problemas com o inglês.

E aí, começaram outras descobertas: como se vestir, como se portar, almoçar fora, adequação ao ambiente corporativo, enfim... uma série de novos comportamentos que estão me fazendo crescer.

Ah! O trabalho é difícil, corrido, estressante. Mas é tão gostoso, que quero mais é continuar nessa correria louca paulistana! Pelo menos por enquanto.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Conversa de botas batidas

Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugarEu olhava a praça sentada no banco elevado do ônibus quando o homem de cavanhaque e cabelos brancos entrou e parou ao meu lado.
— Vou sentar aqui porque fico mais perto do ventinho da janela — completou ao se acomodar.
Depois de um sorriso sem graça, pensei que a conversa terminaria ali, afinal, de óculos escuros e péssimo humor, não seria eu mantenedora de bom bate papo com ninguém.
— Essa história de ventinho já me rendeu um casamento, acredita? — ele disse.
— Jura? — perguntei, arrependendo-me em seguida, já que pensei que o velho começaria ali um xaveco para me deixar ainda mais mal humorada. Mas eu estava errada. Foi iniciada ali mais uma sessão das minhas tão adoráveis terapias-relâmpago.

Com 71 anos de idade, mas aparentando no máximo 60, o viúvo casou-se novamente graças ao que ele chamou de "ventinho auspicioso". Há cerca de 3 anos, ao escolher para sentar o mesmo lugar de onde me contava essa história, ouviu da loira que ocupava o "meu lugar" uma pergunta inesperada:
— Prefere sentar na janela ou no corredor?

A demonstração de educação encantou o homem. Este desfiou elogios à mulher e passados alguns Canais (sete canais cortam a orla de Santos) já conversavam como "bons amigos". Depois de anotar o número de telefone da loira, o primeiro encontro foi marcado, seguido do casamento, oito meses mais tarde.

Nesse meio tempo ouvi uma série de conselhos sobre como respeitar a si mesmo, fortalecer o amor pelo outro, ceder na relação, aguentar a sogra e vencer as diferenças religiosas entre os dois.

No meio dos 30 minutos de conversa – sim, já era uma conversa – meu celular tocou.

Droga! Mais uma vez não conseguia ter certeza de que era realmenteuma boa ideia colocar toda essa teoria em prática.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Em trânsito

Uma chuva fininha caía sobre a cidade. As luzes de freio dos automóveis lembravam o período em que, ajoelhada no banco de trás do carro de seu padrinho, era levada para Guarujá pela Piaçaguera, sem ver o mar.
Anos depois, olhava sempre pelas janelas do lado do motorista. Ela nunca sentava do lado oposto ao dele. Não quando podia escolher. O barulho do parabrisa incomodava, mas o sorriso e o chapéu de Sérgio Reis estampados em um cartaz colado ao vidro eram ainda mais incovenientes.
O ônibus era tão familiar para quem não gostava de dirigir. Era possível ler antes de chegar em casa. A casa era cama; ou o sofá pequeno onde, encolhida, sentia-se abraçada, querida.
A vida não andava sendo justa. Os seus planos eram concluídos, os amores esquecidos. Restavam o ócio e a imaginação. A novela que escrevia em pensamento todas as noites sustentavam sorrisos do marido Pedro e a sensação de acariciar a barriga de oito meses. Por mais que não trabalhasse para, o objetivo era o amor, os filhos, o compartilhamento de cada dia. Era isso que ela queria tomando ônibus atrás de ônibus, todos os dias.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

pai

Dói. Sonhei com eles me vendo apresentar o trabalho final da primeira fila. Um não pode. E se não posso ter um, é melhor que não tenha nenhum. Se escrevi um livro e amanhã (hoje na verdade) estarei apresentando para a banca examinadora do curso de Jornalismo, meu pai é o principal responsável. Ahh... meu pai que me comprou quadrinhos, revistas pré-adolescentes e enciclópedias. Meu pai que contava primaveras nos cartões de aniversário e lia minhas redações como o leitor mais crítico do mundo. Meu pai se esconde agora atrás de uma cortina chamada esquizofrenia. Olhar na primeira fila e não reconhecer aqueles olhos ia doer mais do que o que está doendo agora. Ver minha mãe sozinha, sem o homem que ela ainda ama, também seria péssimo. Aguento firme e agradeço ao meu grande velho, tudo, tudo, tudo o que ele representou, e ainda representa pra mim.

Obrigada pai! Amo, amo e amo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Corpo humano

O amor é um sentimento exibicionista. Ele dilata as pupilas de quem o sente para que qualquer um possa ler as linhas dos olhos que descrevem o coração, a alma.

Encarar olhos que te amam é como ganhar um edredom em dia frio, tendo nas mãos uma caneca de chocolate fumegante. É cair eternamente em um abismo do qual não se sente medo, apenas busca-se a companhia que cai junto com você.

Olhos não falam de amor, eles gritam exigindo atenção e quando não são notados se encolhem, se fecham. Tristeza não se exibe. Ela retorna ao coração na busca pelo culpado em ofertar tanta alegria e vai fechando cada artéria. O corpo luta, mas o sangue amargo alcança os órgãos, sentidos e gestos.

Quando já parece tarde, a esperança começa a massagem cardíaca, acontecem respirações boca-a-boca, mas a morte é necessária e o renascimento indispensável.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

mais um

minha vida tá toda enrolada, e eu tô tentando arrumar. Mas isso é viver, não é?
Continuo tentando.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Blade Runner, o Caçador de Andróides

crítica de cinema (2008)

Embora o filme Blade Runner (O caçador de andróides) tenha sido lançado em 1982, muitos elementos podem ser trazidos para a realidade que vivemos atualmente, ou que podemos vivenciar em um futuro bem próximo.

A extinção da natureza, e de espécies de animais, e o crescimento da poluição relembram os cuidados com a ecologia que começaram a se intensificar nos últimos anos por motivos óbvios. A consolidação do sistema capitalista, demonstrado pelas publicidades iluminadas em grandes prédios, foi prevista no filme. Utilizando a imagem da Coca-Cola, uma empresa que se espalhou pelo mundo.

Um dos fatores mais interessantes no contexto de economia de mercado é a utilização de chineses nas imagens de cunho publicitário. Hoje, a China é vista como uma forte potência econômica o que demonstra uma coincidência interessante ou um feeling perfeito do diretor. Ainda com referência à China, é apresentada uma mistura de raças, que pode ser associada à facilidade que temos hoje de romper fronteiras com a internet, por exemplo.

O avanço de tecnologias não poderia ser deixado de lado. Máquinas que realizam leituras de retina não são mais ficção científica para nós, ao contrário dos carros voadores.

Mas a "tecnologia" que ainda não conhecemos, responsável pelo enredo do filme, são os replicantes - clones humanos adulterados geneticamente para serem mais fortes e viverem por apenas quatro anos.

Além de os replicantes participarem de viagens interplanetárias - também realizadas pelos humanos no filme - eles são essenciais na construção do personagem principal: Deckard (Harrison Ford) deve caçar os replicantes que se rebelaram para viver mais que os anos programados. E é na relação com os andróides que o personagem de Deckard vai sendo construído.

Em uma de suas críticas de cinema, Marcelo Janot questiona se BladeRunner é um filme sobre "andróides que se humanizam ou sobre seres humanos que ficam cada vez mais parecidos com andróides". Acredito que manter a dúvida foi um dos objetivos do cineasta Ridley Scott.

*Publicado no wiki do Clube da Escrita